ROMAN: DE PARIS PARA MARVILA - A NOVA ERA DO RAW LUXURY
- Inês Fonseca
- Nov 28, 2025
- 4 min read
Updated: Jan 5
AMOR E UMACABANA

Numa tarde quente de setembro, cheguei ao Hub Criativo do Beato e sentei-me na esplanada do Royal Rawness. Quando olhei para o letreiro, não consegui evitar a ironia, fazia todo o sentido estar ali: Royal Rawness, modern royals, modern luxury. Coincidência ou alinhamento perfeito, não sei. Dias antes tinha finalmente encontrado a melhor forma de descrever o meu nicho, os meus “modern royals”: Pessoas que reconhecem o luxo nas coisas invisíveis, privacidade, mobilidade, luz, bons materiais, autenticidade, e não nas versões mais óbvias ou ruidosas do luxo.

Enquanto esperava para conhecer o promotor francês, Roman Ribemon, deixei-me vaguear pelo Hub. Bastou esse pequeno desvio para Marvila me voltar a conquistar, aquela energia crua, industrial, com cheiro de cidade a reinventar-se. Tinha vivido ali antes do bairro “explodir”, nos dias embrionários da Musa e do próprio Hub, quando tudo ainda era promessa e não tendência.
Agora nos Anjos, esse híbrido colorido de hipsters, comunidades migrantes e um Portugal de bairro, vejo tudo com outra distância. Marvila, porém, vibra noutro compasso. No Hub Criativo respira-se um ar diferente, mentes inovadoras, founders, ideias em ebulição, improviso, potencial ilimitado.
É como se a Revolução Industrial e a Revolução Tecnológica coabitassem no mesmo espaço, em tempos diferentes. Uma bolha. Um ecossistema. Uma microcidade que não se mistura com nada.
Eu sabia que ia ver algo “diferente”, mas essa palavra, no imobiliário, perdeu metade do significado… Venho do ramo da moda, sempre fui fã do equivalente a uma edição limitada. No imobiliário, procuro casas com carisma. Por isso, a ideia de haver mais do que uma deixou-me desconfiada, mas o factor cool de Marvila, e o pouco que já tinha visto, aguçaram a curiosidade.
Talvez fosse possível, finalmente, o melhor dos dois mundos.

A verdade é que a nova construção, de forma geral, é pensada para vender, volume, lucro, eficiência. E isso quase sempre compromete o essencial. Os materiais repetidos, os acabamentos que deixam a desejar, o típico azulejo a imitar mármore (com veio dourado nos casos mais dramáticos), os móveis que fingem ser madeira, o soalho cinzento, as luzes led que transformam qualquer sala numa espécie de bloco operatório, os renders tropicais que na prática se revelam frios e estéreis… Era este cenário que me fazia ver a construção nova como algo mais próximo do investimento do que da emoção.
Mas, a caminho da Rua do Açúcar, senti o meu cinismo amolecer.
Assim que o Roman abriu a porta, sotaque francês, sorriso morno, e entrámos naquela sala iluminada pelo rosa da parede descascada, coberta de hera trepadeira, um acidente feliz que acabou por se tornar quase um símbolo do espaço, percebi que, sim, era mesmo diferente.
Parecia que tínhamos entrado numa galeria, numa livraria com alma, num boutique hotel escondido num canto improvável do mundo. Não parecia um empreendimento, parecia curadoria.


A mezzanine deixava a luz viajar entre os níveis da casa. O escritório-biblioteca, pousado por cima da sala e do terraço, tinha aquela aura de fotografia de revista que não precisa de explicação.
As janelas do chão ao teto deixavam entrar a vista industrial de Marvila, com o porto de cargas ao fundo, um horizonte aberto, honesto, quase cinematográfico.
O chão de madeira maciça, claro, fazia tudo soar certo, a acústica, a leveza, o ambiente quase infantil de tão puro. Até os móveis da cozinha eram de madeira verdadeira, e as janelas de correr em acordeão, um sistema suíço Forster, pesado, de ferro, sólido, eram de uma qualidade que já quase não existe.



Ficou claro, estas casas não são para todos. Só quem tem exigência elevada e sensibilidade percebe estes detalhes.
O Roman trazia um percurso longo, mais de dez anos entre Paris e Lisboa, com um histórico de projetos independentes e fora da caixa. Mas desta vez era Marvila, o “Shoreditch de Lisboa”, e poucos promotores tinham verdadeiramente entendido o ADN industrial e “cool” do bairro como ele.
Ali estava alguém que trouxe aquilo que desapareceu da cidade, moradias com entrada própria, terraço, três pisos, luz abundante, elevador, materiais sérios, madeiras verdadeiras e design com caráter.
Uma visão que exige sensibilidade rara.

“Gostei imediatamente do espaço e visualizei logo o que poderia ser feito ali, algo original, fora da caixa” — contou-me sobre o início da jornada.
Construção não é um ramo fácil. E quando falamos com um promotor com veia artística, sente-se. Projetos avulso, tão particulares, exigem paixão, quase uma obsessão. Perguntei-lhe o que o fazia continuar depois de tantos anos:
“O lado criativo de cada processo, a satisfação de tornar esses projetos realidade, de devolver vida a edifícios para criar espaços onde se possa viver, trabalhar e comprar, espaços que perdurem décadas e com sorte, séculos. É como realizar um sonho, todas as vezes.”
Este não é o empreendimento que se vende em planta, com imagens 3D perfeitas e promessas de valorização. É uma casa para ser sentida ao vivo.
Por isso quis saber o que tornava o ALBA especial.
“Cada pessoa tem uma visão de luxo, mas empreendimentos com “amenities” costumam ter dezenas ou centenas de frações. Luxo urbano é privacidade, ninguém a ver para dentro, sem vizinhos por cima ou por baixo, entrada própria, espaço exterior privado, paz e quietude. E depois, claro, o design, os materiais e as soluções que escolhemos.”

Quando lhe perguntei “Porquê aqui?”, sorriu e respondeu:
“É “trendy”, artístico, calmo, oferece mais espaço, fica junto ao rio e tem acesso fácil ao aeroporto e à Ponte Vasco da Gama para uma escapadinha de fim de semana.”
Para compreender o estilo de vida, perguntei-lhe como seria o “dia ideal” de quem vive ali, já sabendo que ia passar os dois meses seguintes a caminhar para Marvila. E ele descreveu:
“Correr ou pedalar junto ao rio ao nascer do sol, pequeno-almoço no “Bakehouse”, saltitar entre galerias de arte contemporânea, almoço no “Clube de Vídeo”, música ao vivo no “Zé dos Bois” Marvila, tacos e DJs no “Duro de Matar”. Terminar a noite no “Outra Cena.”
A minha checklist estava completa.

A conversa terminou da melhor forma possivel: com croissants da Lully, da Rua do Grilo.
Saí a pensar: há poucos promotores assim, com visão tão singular e tão firme na qualidade, como se estivessem a construir para si próprios.

As cinco townhouses estão prontas e as primeiras duas já foram reservadas.
Quem procura uma casa independente, com espaço exterior, luz e privacidade, a dez minutos do aeroporto, está com sorte:
Estas casas são a materialização perfeita do “they don’t make them like this anymore”, mas com um toque de pinta, design e sofisticação.

Quem entra… entende!











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